Saiu faz uns não mais que 4 meses Glas II, livro que complementa o famoso Glas, de Jacques Derrida, publicado em 1974 e que até hoje divide opiniões.

Algum jornal já se prestou a dizer alguma coisa sobre isso? Um milhão de caras numa redação e ninguém pra ler e resenhar um livro. Mas tudo bem, porque se você acompanha os suplementos culturais dos jornais brasileiros você nem se surpreende com a falta de substância. Se eles nem comentaram o Glas por quase 40 anos, certamente que não seria um livro com menos de seis meses que promoveria algum debate sério nos nossos jornais e revistas de cultura. Feito o desabafo, Glas II é produto de anos de pesquisas do filósofo francês Jacques Derrida, mas que, infelizmente e apesar de todo o esforço contrário por parte dele, morreu antes de terminá-lo. Mais tarde, depois de enterrá-lo, quando lia as anotações deixadas, sua esposa Marguerite encontrou uma carta do filósofo: “Caso morra antes de terminar este livro, publique-o assim mesmo.” Ela seguiu o pedido do marido o entregou à editora Simone de Scogliozi. Glas II, como era de se esperar, compartilha inúmeras características com o primeiro Glas, mas, se me permitirem, poderia ser comparado a outro livro para que se tenha uma mais clara idéia da obra, e esse livro é Willie Masters’ Lonesome Wife, de William H. Gass. (Aqui o leitor encontra uma resenha do livro.) Mas enfim, na mesma linha do primeiro volume, em Glas II aparecem citações não-lineares de diversos autores, trechos de anúncios, piadas e um magnífico e definitivo comentário sobre Superman II. Eu não cheguei a tabular os resultados ainda, mas acredito no que dizem os editores da Gallimard quando afirmam ter no Glas II 38% mais desconstrução que no Glas de 1974. Meio assim no olhômetro da primeira leitura eu acho que é por aí mesmo. Embora tenha muita coisa pra dizer sobre esse livro, vou com calma. No momento vou postar apenas duas páginas que se relacionam com o que escrevi há algum tempo sobre os comediantes Falstaff/Stand-up. Desgraça I

Na linha da direita, uma piada do Costinha que saiu no disco All Tomorrow's Parties' Peru. Na coluna da direita, um poema de Fernando Pessoa, chamado Ironia. Abaixo, centralizado mais à esquerda, um trecho do anúncio do disco de Costinha chamado Apunnin Vein, obra que inaugurou a "fase andrógena" de Costinha. No pé da página uma citação do livro Irony in the Work of Philosophy, de Claire Colebrook.

A enigmática página 774.

Esse single foi lançado em 1966, antes de Costinha sair e ser substituído por Nico.
Como eu tenho o disco All Tomorrow’s Parties’ Peru do Costinha eu resolvi colocar um mp3 dessa piada cheia de significância.
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Também tenho o LP de Apunnin Vein. Esse é clássico.

Melhor disco do Costinha, e um dos melhores dos anos 70.
